Diferenças Regionais do Português Brasileiro
1) Tupi Importado

A Amazônia fala de um modo bem diferente do vizinho
Nordeste. A razão para isso é que lá quase não houve escravidão de africanos.
Predominou a influência do tupi, língua que não era falada pelos índios da região,
mas foi importada por jesuítas no processo de evangelização.
2) Minha Tchia

O litoral nordestino recebeu muitos escravos negros,
enquanto o interior encheu-se de índios expulsos da costa pelos portugueses. Isso explica
algumas diferenças dialetais. No Recôncavo Baiano, o "t" às vezes é
pronunciado como se fosse "tch". É o caso de "tia", que soa como
"tchia". Ou de "muito", frequentemente pronunciado
"mutcho'". No interior, predomina o "t" seco, dito com a língua
atrás dos dentes.
3) Maternidade

A exploração do ouro levou gente do Brasil todo para
Minas no século XVIII. Como toda a mão de obra se ocupava da mineração, foi
necessário criar rotas de comércio para importar comida. Uma delas ligava a zona do
minério com o atual Rio Grande do Sul, onde se criavam mulas, via São Paulo. As mulas,
que não se reproduzem, eram constantemente importadas para escoar ouro e trazer
alimentos. Também espalharam a língua brasileira pelo centro-sul.
4) Chiado Europeu

Quando a família real portuguesa mudou-se para o Rio, em
1808, fugindo de Napoleão, trouxe 16.000 lusitanos. A cidade tinha 50 mil habitantes.
Essa gente toda mudou o jeito de falar carioca. Data daí o chiado no "s", como
em "festa", que fica parecendo "feishta". Os portugueses também chiam
no "s".
5) Tu e Você

Os tropeiros paulistas entraram no Sul no século XVIII pelo
interior, passando por Curitiba. O litoral sulista foi ocupado pelo governo português na
mesma época com a transferência de imigrantes das Ilhas Açores. A isso se deve a
formação de dois dialetos. Na costa, fala-se "tu", como é comum até hoje em
Portugal. No interior de Santa Catarina, adota-se o "você", provavelmente
espalhado pelos paulistas.
6) Porrrrta

Até o século passado, a cidade de São Paulo falava o
dialeto caipira, característico da região de Piracicaba. A principal marca desse sotaque
é o "r" muito puxado. A chegada dos migrantes, que vieram com a
industrialização, diluiu esse dialeto e criou um novo sotaque paulistano, fruto da
combinação de influências estrangeiras e de outras regiões brasileiras.
Fonte: Super Interessante, abril 2000, p.49
|