1- Denotação e Conotação
A significação das palavras não é fixa, nem estática.
Através da imaginação criadora do homem, as palavras podem ter seu significado
ampliado, deixando de representar apenas a ideia original (básica e objetiva). Assim,
frequentemente remetem-nos a novos conceitos por meio de associações, dependendo de sua
colocação numa determinada frase. Observe os seguintes exemplos:
A menina está com a cara toda pintada.
Aquele cara parece suspeito.
No primeiro exemplo, a palavra cara
significa "rosto", a parte que antecede a cabeça, conforme consta nos
dicionários. Já no segundo exemplo, a mesma palavra cara teve seu
significado ampliado e, por uma série de associações, entendemos que nesse caso
significa "pessoa", "sujeito", "indivíduo".
Algumas vezes, uma mesma frase pode apresentar duas (ou
mais) possibilidades de interpretação. Veja:
Marcos quebrou a cara.
Em seu sentido literal, impessoal, frio, entendemos que
Marcos, por algum acidente, fraturou o rosto. Entretanto, podemos entender a mesma frase
num sentido figurado, como "Marcos não se deu bem", tentou realizar alguma
coisa e não conseguiu.
Pelos exemplos acima, percebe-se que uma mesma
palavra pode apresentar mais de um significado, ocorrendo, basicamente, duas
possibilidades:
a) No primeiro exemplo, a palavra apresenta seu sentido
original, impessoal, sem considerar o contexto, tal como aparece no dicionário. Nesse
caso, prevalece o sentido denotativo - ou denotação - do signo linguístico.
b) No segundo exemplo, a palavra aparece com outro
significado, passível de interpretações diferentes, dependendo do contexto em que for
empregada. Nesse caso, prevalece o sentido conotativo
- ou conotação do signo linguístico.
Obs.: a linguagem poética faz bastante uso do
sentido conotativo das palavras, num trabalho contínuo de criar ou
modificar o significado. Na linguagem cotidiana também é comum a exploração do
sentido conotativo, como consequência da nossa forte carga de afetividade e
expressividade.
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