2 - Figuras de Linguagem
São recursos que tornam as mensagens que emitimos mais expressivas. Subdividem-se em figuras de som, figuras de palavras, figuras de pensamento e figuras de construção.
Classificação das Figuras de Linguagem
Observe:
1) Fernanda acordou às sete horas, Renata
às nove horas, Paula às dez e meia.
2) "Quando Deus fecha uma porta, abre
uma janela."
3) Seus olhos eram luzes brilhantes.
Nos exemplos acima, temos três tipos distintos de figuras
de linguagem:
Exemplo 1: há o uso de uma construção
sintética ao deixar subentendido, na segunda e na terceira frase, um termo citado
anteriormente - o verbo acordar. Repare que a segunda e a última frase
do primeiro exemplo devem ser entendidas da seguinte forma: "Renata acordou
às nove horas, Paula acordou às dez e meia. Dessa forma, temos uma figura
de construção ou de sintaxe.
Exemplo 2: a ideia principal do ditado
reside num jogo conceitual entre as palavras fecha e abre,
que possuem significados opostos. Temos, assim, uma figura de pensamento.
Exemplo 3: a força expressiva da frase
está na associação entre os elementos olhos e luzes brilhantes.
Essa associação nos permite uma transferência de significados a ponto de
usarmos "olhos" por "luzes brilhantes". Temos, então, uma figura
de palavra.
Figura de Palavra
A figura de palavra consiste na substituição
de uma palavra por outra, isto é, no emprego figurado, simbólico,
seja por uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma
associação, uma comparação, uma similaridade. Esses dois conceitos
básicos - contiguidade e similaridade - permitem-nos
reconhecer dois tipos de figuras de palavras: a metáfora e a
metonímia.
Metáfora
A metáfora consiste em utilizar uma palavra ou
uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas em virtude da
circunstância de que o nosso espírito as associa e depreende entre elas certas
semelhanças. É importante notar que a metáfora tem um caráter subjetivo e
momentâneo; se a metáfora se cristalizar, deixará de ser metáfora e
passará a ser catacrese (é o que ocorre, por exemplo, com "pé de alface",
"perna da mesa", "braço da cadeira").
Obs.: toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento comparativo não aparece.
Observe a gradação no processo metafórico abaixo:
Seus olhos são como luzes brilhantes.
O exemplo acima mostra uma comparação evidente, através do emprego da palavra como.
Observe agora:
Seus olhos são luzes brilhantes.
Nesse exemplo não há mais uma comparação
(note a ausência da partícula comparativa), e sim um símile, ou seja,
qualidade do que é semelhante.
Por fim, no exemplo:
As luzes brilhantes olhavam-me.
Há substituição da palavra olhos por luzes
brilhantes. Essa é a verdadeira metáfora.
Observe outros exemplos:
1) "Meu pensamento é um rio
subterrâneo." (Fernando Pessoa)
Nesse caso, a metáfora é possível na medida
em que o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio subterrâneo e seu
pensamento (pode estar relacionando a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.).
2) Minha alma é uma estrada de terra que leva
a lugar algum.
Uma estrada de terra que leva a lugar
algum é, na frase acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa expressão que
indica uma alma rústica e abandonada (e angustiadamente inútil), há uma comparação
subentendida: Minha alma é tão rústica, abandonada (e inútil) quanto uma estrada de
terra que leva a lugar algum.
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