Polissíndeto / Assíndeto
Para estudarmos essas duas figuras de construção, é
necessário recordar um conceito estudado em sintaxe sobre período composto. No período
composto por coordenação, podemos ter orações sindéticas ou assindéticas.
A oração coordenada ligada por uma conjunção (conectivo) é sindética;
a oração que não apresenta conectivo é assindética.
Recordado esse conceito, podemos definir as duas figuras de construção:
1) Polissíndeto
É uma figura caracterizada pela repetição enfática dos
conectivos. Observe o exemplo:
"Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila e
grita, luta e ensanguenta, e rola, e tomba,
e se espedaça, e morre." (Olavo Bilac)
"Deus criou o sol e a lua e as
estrelas. E fez o homem e deu-lhe inteligência e
fê-lo chefe da natureza.
2) Assíndeto
É uma figura caracterizada pela ausência, pela omissão
das conjunções coordenativas, resultando no uso de orações coordenadas assindéticas.
Exemplos:
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
"Vim, vi, venci." (Júlio César)
Pleonasmo
Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as mesmas
palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é realçar a ideia, torná-la mais
expressiva. Veja este exemplo:
O problema da violência, é necessário resolvê-lo
logo.
Nesta oração, os termos "o problema da violência" e
"lo" exercem a mesma função sintática: objeto direto. Assim, temos um pleonasmo
do objeto direto, sendo o pronome "lo" classsificado como objeto direto
pleonástico.
Outro exemplo:
Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas.
Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto
Nesse caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o pronome "lhes"
exerce a função de objeto indireto pleonástico.
Exemplos:
"Vi, claramente visto, o lumo vivo." (Luís de
Camões)
"Ó mar salgado, quanto do teu sal são
lágrimas de Portugal." (Fernando Pessoa)
"E rir meu riso." (Vinícius
de Moraes)
"O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem." (Manuel Bandeira)
Observação: o pleonasmo só tem razão de ser quando
confere mais vigor à frase; caso contrário, torna-se um pleonasmo vicioso. Exemplos:
Vi aquela cena com meus próprios olhos.
Vamos subir para cima.
Anáfora
É a repetição de uma ou mais palavras no início de
várias frases, criando assim, um efeito de reforço e de coerência. Pela repetição, a
palavra ou expressão em causa é posta em destaque, permitindo ao escritor valorizar
determinado elemento textual. Os termos anafóricos podem muitas vezes ser substituídos
por pronomes relativos. Assim, observe o exemplo abaixo:
Encontrei um amigo ontem. Ele disse-me que te conhecia.
O termo ele é um termo anafórico, já que se refere a um amigo
anteriormente referido. Observe outro exemplo:
"Se você gritasse
Se você gemesse,
Se você tocasse
a valsa vienense
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro José!" (Carlos Drummond de Andrade)
Anacoluto
Consiste na mudança da construção sintática
no meio da frase, ficando alguns termos desligados do resto do período. Veja o
exemplo: Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
A expressão "esses alunos da escola" deveria
exercer a função de sujeito. No entanto, há uma interrupção da frase e essa
expressão fica à parte, não exercendo nenhuma função sintática. O anacoluto também
é chamado de "frase quebrada", pois corresponde a uma interrupção na
sequência lógica do pensamento.
Exemplos:
O Alexandre, as coisas não lhe estão indo muito bem.
A velha hipocrisia, recordo-me dela com vergonha. (Camilo Castelo Branco)
Obs.: o anacoluto deve ser usado com finalidade expressiva em casos
muito especiais. Em geral, deve-se evitá-lo.
Hipérbato / Inversão
É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão
da ordem direta dos termos da oração. Exemplos:
Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O amor venceu ao ódio.)
Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria: Eu cuido dos meus
problemas.)
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