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ABL comemora aprovação da reforma ortográfica em Portugal

A Academia Brasileira de Letras (ABL) comemorou a aprovação da reforma ortográfica em Portugal nesta sexta-feira (16) e acredita que nos próximos dois anos os países que falam Português vão passar por uma fase de transição.

"O importante é que não importa a maneira como as palavras sejam faladas, desde que a ortografia seja a mesma. Acho que é isso que nós conseguimos e a academia está muito feliz ", diz o presidente da ABL, Cícero Sandroni.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que unifica a forma como é escrito o português nos países oito países lusófonos, foi assinado em Lisboa, em dezembro de 1990. Brasil, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde já ratificaram o acordo. Os outros países que falam português são: Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

As mudanças na forma de escrever o idioma em Portugal vão valer dentro de seis anos, enquanto no Brasil os livros escolares deverão ser mudados até 2010.

Com a aprovação do acordo em Portugal, o ministro da Educação do Brasil, Fernando Haddad, vai propor ao ministro da educação português dois encontros, um em Lisboa e outro em Brasília, para discutir o cronograma da reforma.

Veja trechos da entrevista com o professor Domíco Proença, escritor e titular da cadeira 28 da ABL:

Quais são as vantagens da mudança da ortografia?
Eu vejo vantagens em vários espaços. No espaço cultural porque possibilita um intercâmbio maior e muito conhecimento nos oito países que têm a língua como idioma oficial.

Por outro lado, no âmbito comercial, há uma agilização do mercado livereiro e de periódicos. O que vai ampliar em muito o público leitor e facilitar o conhecimento da literatura, artes e ciências através de uma grafia comum que todos conhecem e com redução de custo.

Além disso, entre as vantagens, a alfabetização fica também facilitada e então há uma vantagem pedagógica. E uma vantagem linguística que a possibilidade dos oito países chegarem a um acordo sobre uma política do idioma comum a todos.

E as desvantagens?
As desvantagens seriam o tempo de investimento em reformular todos os catálogos das editoras. Notadamente ao que se refere aos dicionários, aos textos didáticos e em segunda instância, os textos da literatura.

Como se acostumar às mudanças?
É preciso se descondicionar. Grafia é a roupa da palavra. O que está acontecendo é que algumas palavras da língua portuguesa vão mudar a sua roupagem, mas não vão se desnudar. Se você retira o trema, que muitas pessoas já não usavam, não vai haver muita diferença. O acento circunflexo de verbos como ler e dar e seus compostos também não vai ser muito notado no texto escrito.

Uma sugestão: escreva um texto na nova ortografia e verifique o nível de estranhamento. Você vai ter uma grata surpresa.

Por que metade dos países que falam português não ratificaram o acordo?
Todas as vezes que se mobiliza a língua e, no caso, estamos mobilizando apenas um aspecto da língua que é a ortografia - que é convenção. Escrita é atifício. Mesmo neste espaço as paixões se encontram. Há uma questão de identidade cultural vinculada ao uso do idioma. Já ressonâncias históricas, ideológicas que perpassam por todo esse espaço da língua e acabam atigindo a ortografia.

Acredito que seja interessante para que a unificação se dê que os quatros países que ainda não ratificaram plenamente venham a se juntar a Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

Acredito que se consiga até porque o contigente de falantes nesses países não é tão grande e a língua portuguesa convivem com as línguas nacionais.

17/05/2008

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL472623-5604,00.html