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Que tal escrever "omem" sem h? E "qeijo" sem u?

Comissão técnica do Senado estuda nova reforma ortográfica na Língua Portuguesa

Parece que o tempo do homem com “h” está mesmo chegando ao fim. Pelo menos é o que propõe uma comissão técnica do Senado Federal que estuda novas mudanças ortográficas na Língua Portuguesa. Além de querer eliminar a letra “h” do início de palavras, quer também um pedaço do queijo, ou melhor, sugere a eliminação da letra “u” da palavra queijo.

De acordo com o secretário da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, Julio Ricardo Linhares, o objetivo do grupo de trabalho, com professores renomados como Ernani Pimentel e Pasquale Cipro Neto, é aperfeiçoar e simplificar a língua.

A ideia da comissão nasceu com as constantes discussões em audiências públicas sobre a Reforma Ortográfica de 2009, que alterou 0,5% do vocabulário brasileiro, segundo o Ministério da Educação.

Embora ainda não haja um texto pronto ou projeto de lei, com as mudanças o “ch” deixaria de existir e palavras como chá, flecha e macho, seriam escritas assim: xá, flexa e maxo. O dígrafo “qu” também desapareceria. Palavras como queijo e aquele ficariam assim: “qeijo” e “aqele”. No site www.simplificandoaortografia.com é possível ver essas e outras propostas de mudanças.

A GAZETA foi às ruas com as palavras “omem”, “oje” e “qeijo” impressas, e todos os entrevistados estranharam muito. Para a florista Miriam da Penha Fantin, 46 anos, e a filha Mariana Fantin, 10 anos, a mudança não agradou. “É desnecessário mudar. A palavra ficou feia demais. Não vale a pena”, desabafou a estudante. Para o professor de Língua Portuguesa José Augusto de Carvalho, uma reforma ortográfica precisa levar em consideração a opinião de especialistas no assunto, como linguistas e gramáticos, e não profissionais ligados à política.

“Não é porque deixamos de pronunciar a letra “h” que temos de eliminá-la. Ela faz parte da etimologia da palavra e é comum que isso ocorra em outros idiomas como no inglês. A mudança é inútil”, garante.

Buscar escrever como se pronuncia é um risco, segundo o professor do ensino fundamental no Centro Educacional Praia da Costa, Rodrigo Acosta. “Chamamos isso de transcrição fonética. A pronúncia das palavras muda de um local para outro. Não podemos oficializar uma escrita sem prejudicar a comunicação. Além disso, pode prejudicar o aprendizado”, defende ele.

Conforme Linhares, novo debate deve acontecer em setembro, em Brasília, para discutir as questões ortográficas. E a população poderá participar. “Não temos a pretensão de ditar regras. Vamos ouvir especialistas e a também a comunidade em audiência pública para discutir o melhor a se fazer”, conclui.

O que mudaria

Sem “H”

Homem - Omem

Deixa-se de escrever o “h” no início das palavras porque ele não é pronunciado. Exemplos: oje, ora, istoria, etc.

”QU” SEM O “U”

Queijo - qeijo

Deixa-se de escrever o “u” porque não é pronunciado. Exemplos: qero, aqilo, leqe, etc.

“CH” por “X”

Chá - xá

Somente a letra “x” poderia representar esse som. Exemplos: flexa, maxo, caxo, etc.

“S” por “Z”

Exemplo - exemplo

Somente a letra “z” seria usada para representar o som de Za, Ze, Zi, Zo, Zu. Exemplos: bluza, analizar, ezuberante, etc.

Sem “SS”, “Ç”, “SÇ”, “XÇ” e “XC”

Amassar - amasar

Na nova proposta, os encontros consonantais acima seriam eliminados.

11/08/2014

Fonte: http://gazetaonline.globo.com/